• Home
  • Fotos
  • Crônicas
  • Reportagem
    • Jornais
    • Revistas
    • Web
    • English
  • Outros Textos
    • Cinema
    • imprensa
    • Selecionados
  • rebelox
  • Autor


O homem backup

Posted by: rebêlo    Tags:  amigos, azeitador, café, casamento, cerveja, cinema, Comportamento, encontros, família, garçom, memórias, noite, ONG, segurança, tempo, terramagazine, trabalho    Posted date:  agosto 3, 2011  |  No comment

Paulo Rebêlo
Terra Magazine
03.agosto.2011

A gente nunca admite por vergonha, mas estamos quase sempre procurando – ou esperando – alguém para substituir algo que perdemos.

Os amigos são os mesmos. Família, trabalho e problemas, também. Arquivos do acaso, alguém puxa o mesmo livro que o seu na prateleira da livraria e, sem ninguém lembrar direito como isso acontece, estão os dois sentados tomando um café, uma cerveja ou aquele copo de uísque sem gelo.

Humanamente impossível não passar pela cabeça dela, sequer por um segundo: será que ele vai me ajudar a esquecer…?

Quando o ‘ele’ em questão é você, é melhor suspender as ilusões platônicas e mandar trazer o gelo.

(c) rebelo.org

Porque em momentos assim, tudo que nós precisamos ser é alguém para ajudar a colocar uma pedra naquela cicatriz meio aberta, meio fechada, mas exposta o suficiente para ela não ter mais se interessado de verdade por ninguém. Até agora.

É quando nos tornamos uma espécie de cópia de segurança psicológica. Afinal, ela tem todos os motivos do mundo para não precisar conhecer, e muito menos se interessar, por gente nova.

Não faz diferença há quanto tempo acabou o casamento ou o namoro. Importa que ninguém conseguiu preencher, ainda, a lacuna daquele homem que passou. Pouco ou nada adiantou a série de curtições na balada com as amigas, os encontros cegos que elas marcaram, os pretendentes de plantão.

Faremos nós a diferença?

Ela não quer mais um azeitador de maquinário. Aliás, nem precisa. Há aos montes. Não quer conselhos e nem consolos. Para tal, as amigas bastam.

Quer apenas um pouco mais de segurança. O mínimo, uma fatia, uma porção júnior para não precisar acordar, todo dia, sem fazer ideia de como serão as próximas manhãs, tardes e noites.

Enquanto elas falam, gesticulam, logo ali à frente, a única coisa que passa pela minha cabeça é tentar descobrir o que passa pela cabeça delas em relação a nós.

Será que a fazemos lembrar do ex? Será que temos o tom de voz parecido? Será que torcemos para o mesmo time? Temos as mesmas convicções e preconceitos?

E quando os olhos dela começam a brilhar, será que é um encanto sincero ou um choro contido? Talvez por ter lembrado de algo que não gostaria, apenas pelo jeito de como chamamos o garçom.

Basta um pequeno gesto, seu, para reviver um batalhão de memórias supostamente mortas. Pode ser o jeito de segurar o copo, de oferecer o primeiro gole, de ter medo de multidão, de não encontrar o carro no estacionamento, de tropeçar sempre no mesmo degrau, de levantar apenas uma sobrancelha, de coçar a cabeça, de roer as unhas.

Como vamos saber?

E depois de pagar a conta, será que iremos nos encontrar novamente porque somos parecidos a alguém que ela tanto amou? Ou será porque somos exatamente o oposto dele?

Se estamos no cinema, será que o nosso ombro tem aquela simetria perfeita à qual ela se acostumou tão bem?

Quando deitamos juntos, será que por instantes ela vai lembrar de todas as noites em que eles dormiram durante meses, durante anos? E agora ela está prestes a fazer o mesmo, sem ele?

E depois, quando ela encosta a cabeça em nosso peito ofegante de cansaço, será que conseguimos passar toda a segurança que ela supõe precisar?

Nenhum homem passa incólume a esses questionamentos.

Mas, no fundo, a gente não quer saber a resposta. Para um dia não ter que responder o mesmo.

_______
Link original no Terra Magazine.

  • Compartilhar isto:
  • Email
  • Imprimir
  • Facebook
About the author
rebêlo
Acompanhe os textos também pelo twitter (@rebelox) e pelo facebook.com/paulo.rebelo



Related Posts

Interesseiros

Paulo Rebêlo 08.março.2011 Terra Magazine Nunca sei até onde vale a pena conhecer pessoas interessantes. Fico sempre no limite entre o interesse...
Calcinhas de janeiro

Paulo Rebêlo Terra Magazine 12.dezembro.2009 O melhor do Natal é que acaba logo e a gente já pode pensar onde vai acordar de ressaca, talvez após...
A mulher infeliz

Paulo Rebêlo ------------ Ela pode ser linda a ponto de a gente ficar horas em silêncio olhando para aquelas curvas e cheirando aquela pele. Mesmo...




Comentários públicos





  Cancel Reply

  • mais recentes

    • Um messias chamado torresmo
    • Aquele tal de futuro
    • Elixir do emagrecimento
    • Relações por milhagem
    • Desembarques
    • A palavra-chave para o futuro da Apple
    • Namorando a vovó
    • Honesta gravata
    • O homem backup
    • Lion não é o rei da selva
  • mais lidos

    • Como acabar um relacionamento
    • Homens não ligam no dia seguinte
    • Como conquistar uma mulher
    • O homem primitivo
    • Mulheres que roncam
    • A mulher fresca
    • As cinco mulheres de todo homem
    • Mulheres Bonitas
    • Celular de bêbado não tem dono
    • A mulher infeliz
    • A noite da centolla
    • Namorando a vovó
    • Mulheres de 30
    • Desembarques
    • Aquele tal de futuro
  • + tags

    Relacionamentos história webinsider budapeste bebidas beta educação eleições English windows cinema banda larga cerveja inclusão hungria agreste imprensa wired viagem voip tecnologia segurança gastronomia pernambuco recife Vista consumo música telefonia gestão pesquisa política backstage trabalho performance office casamento economia leste europeu pobreza microsoft email natal Comportamento USA sociedade ciência desenvolvimento EUA mulheres viver brasil europa internet IE obama PCR vereadores sertão bares
  • Arquivos



desenvolvido por AF2 Comunicação
loading Cancelar
Post não foi enviado - verifique os seus endereços de email!
Verificação de email falhou, por favor, tente novamente
Desculpe, seu blog não pode compartilhar posts por email.